Quarta, 05 de agosto de 2020
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Internacional

05/05/2020 às 17h46 - atualizada em 08/05/2020 às 12h12

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INÁCIO TEIXEIRA

Poções / BA

Um brasileiro no Japão
O escritor brasileiro Léo Nogueira em isolamento social no Japão, fala com a tvpovo da sua experiência, seus livros, política e COVID19
Um brasileiro no Japão
Leo e kana Nogueira no aeroporto de Narita. Auto retrato

Nossa reportagem viajou (virtualmente) ao país do Sol Nascente, em uma cidade chamada Komae, com 50 anos de emancipação, e que fica na Província de Tóquio no Japão,  abrigando uma população de 81.6 mil habitantes, numa área de  com um pouco mais de 6.3 mil  quilômetros  quadrados, e que reservou um espaço  para o brasileiro Léo Nogueira, escritor, blogueiro e compositor, nascido em Senador Pompeu no Ceará.    Casado com  Kana Nogueira uma japonesa cantora, instrumentista  e compositora.



   Templo em Komae


Léo conta que  sua ida para o Japão foi dada em 2017, quando sua esposa decidiu voltar para cuidar dos pais na velhice, e  outro fator foi a instabilidade brasileira  que o levou deixar  São Paulo onde trabalhava como revisor de textos nos últimos anos,  para se arriscar como professor de português e churrasqueiro noutras terras. Revisor, compositor de música popular, letrista,  Nogueira tem dois romances publicados,” FILHO Da PRETA !”, em 2014 pela editora Reformatório e “A CONFRARIA DOS MASCARADOS”, em 2019, pela editora Sopa de letrinhas que você pode acessar em  HTTP://oxdopoema.blogspot.com/


TV povo: Entre compor  e escrever, você tem feito letras musicais ou livros?


Léo: Chico Buarque conta que quando está escrevendo seus livros não compõe e vice-versa. Comigo tudo funciona de modo bem caótico, um pouco pela falta de tempo. Assim, sinto-me mais como um escravo da inspiração. Não é raro no mesmo dia eu gastar algumas horas compondo e outras escrevendo.


TV povo:  Como é viver em Komae?


R.: Komae é uma Cidade  bastante tranqüila e silenciosa e com muito verde. Gosto muito de fazer caminhadas e é comum andar por muitos metros sem encontrar ninguém. Entretanto, tem uma vida cultural bem intensa e grande variedade de restaurantes. Conhecida como a cidade da música, é uma das menores do Japão, perto dos grandes centros, o que leva  muita gente a sair para trabalhar. Mesmo pequena,Komae tem parte de sua extensão dedicada a agricultura.


TV povo:  Como o poeta vê a pandemia?


R.: O cidadão vê a pandemia com muita insegurança quanto ao futuro e muita tristeza por causa das tantas e desnecessárias mortes mundo afora. Já o poeta, embora tenha os mesmo temores do cidadão, vê uma luz no fim do túnel e aproveita o tempo pra compor, escrever e, claro, ler muito. Afinal, é em épocas sombrias como esta que a arte se faz mais necessária.  


TV povo:  Vocês estão mantendo o isolamento social?


R.: Sim. No momento, estamos eu, minha esposa e meu sogro confinados há mais de um mês aguardando novas recomendações das autoridades.  Saímos apenas para fazer compras do basico.


TV povo:  Me fale de Kana ?


R.:  Professora de canto e violão, quatro discos gravados  em parcerias comigo e outros compositores brasileiros, em  especial de Zeca Baleiro.  Aqui no Japão ela faz parte de uma banda chamada CAXIQUE. Banda formada por ela e mais oito músicos, fazendo shows pela região.


TV povo:  Sobre a demora das autoridades japonesas em tomar providências como isolamento social e medidas para conter disseminação do vírus, com está sendo visto? Aqui nós temos um maluco dizendo e fazendo horrores para confundir a população e fazer todos voltarem às ruas e ao trabalho. Você tem acompanhado?
R.: Sobre o Japão: aqui é um país moderno, seguro, com moeda estável e muito emprego, as coisas funcionam, a comida é boa, as pessoas são prestativas, enfim, há uma infinidade de qualidades sobre as quais eu poderia passar um dia inteiro falando; entretanto, é um país capitalista e, como tal, pensa antes em sua economia. E, com o agravante de ter sido escolhido como sede das Olimpíadas deste ano (que, graças a Deus, foram adiadas), não posso assegurar que houve má-fe, mas, na melhor das hipóteses, houve, sim, certa indolência por parte das autoridades. Só depois que as Olimpíadas foram oficialmente adiadas é que começaram a lidar com a pandemia de um modo mais sério. Porém, até agora os casos fatais não chegaram a 600 ainda. 2) Sobre o Brasil: Sim, tenho acompanhado as notícias com apreensão, tristeza e muita raiva. Acredito que, infelizmente, o vírus que tem sido responsável pelo maior número de mortes no Brasil está sentado na cadeira da Presidência. É preciso tirá-lo de lá urgentemente, pois o que o mundo tem chamado de pandemia no Brasil pode virar um genocídio.

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