Quarta, 05 de agosto de 2020
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Saúde

24/06/2020 às 09h06 - atualizada em 24/06/2020 às 14h43

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INÁCIO TEIXEIRA

Poções / BA

A sua cabeça em tempo de pandemia
Os psicólogos Mirella Araújo, Carlos Rodrigo e Iara Castro fazem um balanço psicológico e traçam algumas recomendações para o seu isolamento
A sua cabeça em tempo de pandemia
Mirella Araujo, Carlos Rodrigo Barreto e Iara Castro, psicólogos

Em época de pandemia as pessoas estão lidando com inúmeras novidades em sua rotina e cada um responde a este estímulo de diversas maneiras. Para alguns a quarentena está sendo como uma entrada em um retiro espiritual, em que é possível mergulhar nas profundezas de si mesmo e se auto conhecer. Mas, para outros este período está sendo uma verdadeira prova de resistência, na qual o confinamento é visto como uma gaiola em que as pessoas estão presas e sem previsão para se libertar. 


 Ansiedade, Depressão, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsório) entre outros, são algunsdos problemas psicológicos que podem se manifestar nesse período.  Por conta disso conversamos com três psicólogos Carlos Rodrigo Barreto, Iara Castro e Mirella Araújo para entender mais sobre os efeitos que podem se manifestar durante a quarentena.


 



 Carlos Rodrigo Barreto O isolamento social está permitindo uma série de mudanças que atinge toda a população, acostumados a uma vida agitada agora as pessoas estão aprendendo a reinventar suas rotinas. Segundo Carlos “Podemos entender esse período como um convite que a vida nos traz ao contato com nosso interior e com os nossos familiares”. Por outro lado, “É um momento de incertezas e inseguranças, que mexe com todos os sistemas e é normal sentir medo, angústia e/ou ansiedade. Mas este é o momento pelo qual temos que sermos mais racionais” diz Iara.


O fato de ter tirado a liberdade de ir e vir sem hesitação, assim como o de se  relacionar diretamente com as pessoas da forma que a sociedade está acostumada, deixa a saúde mental um tanto instável, pois como disse Mirella “Existe uma dificuldade de interação, pois as pessoas vivem de uma maneira muito agitada, trabalham, estudam, fazem academia, caminhada, ou seja, tem uma vida muito ativa, e isso foi tirado, deixando os acessos cada vez mais restrito”.


De certa forma, essa não é a primeira vez que o mundo entra em quarentena, no ano de 2003 muitos países passaram por essa realidade, tendo como causa uma síndrome respiratória aguda. Já em 2014 a quarentena se instalou por conta da Ebola, mas nenhuma delas teve a intensidade que se encontra em todos os países do mundo neste momento. Ainda assim, foi comprovado em 24 estudos feitos em dez países que os profissionais da linha de frente têm maior probabilidade de apresentar exaustão, ansiedade, irritabilidade e insônia. Além da dificuldade de concentração, indecisão, piora da performance no trabalho, relutância em ir trabalhar e pensamentos de demissão.


Os demais estudos identificaram na população em geral, sintomas como estresse psicológico, distúrbios emocionais, depressão, irritabilidade e insônia durante a quarentena.  Identificando assim que 7% das pessoas apresentava ansiedade e 17% sentimentos de raiva, e que 4 a 6 meses após a quarentena esses números diminuíram para 3% e 6%, respectivamente. Mas esses números irão se modificar muito se tratando do perfil da pandemia atual e da aglomeração de acontecimentos que estão ocorrendo nos últimos dias.



Iara Castro Em conversa Carlos Rodrigo alertou que nesse contexto será possível se sentir entediado, vazio, triste, melancólico, preocupado, enfim, a probabilidade de desenvolver ou sentir uma série de emoções diferentes é grande, e muitas das pessoas não tem o costume de se conectar consigo mesmo o que gera o estranhamento. Mas, o motivo disso tudo são os pensamentos. Por conta disso, “pode se instalar um mal-estar psicológico, fragilizando assim nossa capacidade de adaptação e reação ao estresse, afirma Iara Castro.



Mirella Araujo Diante desse cenário de distanciamento social, Mirella Araújo  diz que existe uma possibilidade altíssima de Transtorno Pós-traumático, a número de pessoas que vai ter o Transtorno Obsessivo Compulsório,  lavando a mão a todo momento ou usando o álcool gel,  que já está limpando a casa mais do que deveria, tomando vários banhos ou até organizando as coisas ao redor de forma inconsciente será elevado. A população foi exposta de uma hora para outra numa realidade totalmente alternativa, em que jamais foi pensado em estar inserido, pois o mundo como um todo parou. Mas, não se preocupe querido leitor que está lendo, vai passar, por mais que as vezes desacreditemos nisso.


Para aliviar todos esses desgastes emocionais que se está inserido, os psicólogos recomendam principalmente cuidar de si e dos pensamentos, para absorver melhor as coisas ao redor. Que possa trocar as preocupações por ocupações. Até porque o entretenimento ele pode estar onde menos esperamos. Portanto, visualize possibilidades e não obrigações. Informações que enriquecem e não como algo que gere pânico. 


  Aproveite a oportunidade para desenvolver atividades terapêuticas, como a arte terapia, a musicoterapia, aos trabalhos com artesanato, teatro, dança enfim, alguma expressão indica Carlos Rodrigo. Segundo Mirella a melhor forma de lidar com tudo é através da atividade física sem dúvida nenhuma, mas dentro de casa claro. O YouTube tem uma série de aulas que podem te ajudar nesse ponto, assim como a existência de aplicativos que te lembram de fazer e guiam o passo-a-passo, assim você vai ajudar na sua saúde mental e física ela “é como uma cola que conserta o psicológico”. Já para Iara Castro, o segredo é escutar uma boa música que ajuda na liberação da endorfina, evitar pensamentos negativos e sempre focar no presente, naquilo que almeja realizar agora. E claro, cuidar da alimentação e estabelecer uma rotina.


Além disso, movimente-se, respire, dance como se ninguém tivesse olhando, pois é muito libertador. Beba muita água, limpe, organize e planeje seus dias. E principalmente fique em casa. Não esqueça que não existe a necessidade de ser produtivo o tempo todo, respeite o seu tempo. Ninguém estava preparado para esta pandemia, mas se aceitarmos o problema as coisas se tornaram mais fáceis. Lembre-se: estamos sozinhos mais juntos, por uma causa.


Dados de entrevistados:


Carlos Rodrigo Barreto CRP 03/09816


 Iara Castro CRP 03/21504


Mirella Araujo CRP 03/14779


 


Por Lalume Carneiro

FONTE: Lalume Carneiro

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